Não sei fazer protesto. Só sei falar de amor e progresso. Dor e disritmia do coração. Tá não vou dizer que não. Sei falar da morte do Severino e do bairro do Alemão. Mas me pergunto assim, só de antemão. Do que serve as palavras, a não ser pra falar com o coração? Demagogia de quem sabe dizer pela razão. Ilude os olhos e aquece o pulmão, por um tempo… Protesto assim tem de montão. Do que adianta, se a política vive na contramão. Egoísmo? Não. Só perde tempo quem reclama da oposição. Baixe a cabeça e faça com as próprias mãos. Quem grita o esforço, quer menos sufoco e mais foco do que ação. Quem faz arte, faz por inspiração. Não pra ser famoso ou mostrar superexposição. Quer fazer protesto? Faça por uma razão. Não vista a fama de quem não tem nada nas mãos. Quer chorar miséria? Tirar leite de pedra? Refazer o chão? Ou mesmo dar história pra um menino fujão? Faça futuro então. Mostre pulso e menos palavrão. Comece você a sujar as mãos. Minha avó não gosta de confusão, mas sabe que pra mudar algo talvez precise sim de uma multidão. Mas para começar algo, é preciso muito mais do que função. É preciso paixão. Essa aí, que às vezes, sai de dentro do seu coração.
Pra guardar? Qual a graça de levar num potinho? Troféu? Valor que o tempo leva e não deixa comigo. Quero além de um embrulho bem feitinho. Quero a caixa sem laço no presente comigo. Pode vir bronca de fera mancinha, pode vir o toque de um leão docinho. Quero por inteiro. Pode o tempo dizer que não. Pode a fera se jogar no chão. Mas quero deixar livre esse coração de menino. E me deixar levar por um presente divino. Olhar, toque, boca e brilho. Tudo isso vale a todo segundo, mas não impede o tempo levar. Cara a cara, me beija e me dá mais um segundo. Depois vá vá com quem te deixa em par. Feliz por um tempo, amigos. Saudades. Minha avó não conhecia Renato Russo, mas sabe que “existe algo que diz, que a vida continua e se entregar é uma bobagem.”
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Embrulha, desembrulha. Dá nó. Fechada por dentro. Enfeitada por fora. Que sina. Presente difícil que me dá e me tira. Quebra-cabeça ou um presente divino? Universo menino. Não brinca assim comigo. Se quer dar. Dá. Não me tira. Pedi aos santos fortes o sorriso mais lindo. Rezei para o sol e pedi o seu brilho. Ganhei um pedido. Que dia lindo. Ganhei o seu tempo e o seu carinho. O toque de um leão docinho. E uma bronca de um bicho crescido. Me dá mais um pedido? Olho para cima e só vejo um caminho. Força e coragem de um doce menino. Universo, vai me dar ou não vai mais um pedido? Minha avó acredita neste ano mágico e só daria um toque especial nisso tudo: o valor de um presente é infinito e tudo está em nossas mãos. Mas respira e abra mão, tente acreditar que se abrir mão quem sabe o universo não te agarre com as duas.
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Gira mundo ao redor de tudo, não espere dar a volta ao mundo, só porque gira com tudo. O mundo é bola, não curto. É redondo e não mudo. Fala, fala em mudança. Pede passo e descompasso. Põe pedra e cai no chão. O mundo é círculo, mas não é não. De redondo não tem nada, segue reto feito estrada. Quem caminha segue o fluxo, se dá ré, ih, não vai dar pé. Breca! E pede mais de todo mundo… A mudança move o mundo então acelera e pisa fundo. Se sua dor é mais profunda, nunca esqueça, que aqui tem mais dor que qualquer saco sem fundo. Chora chora e fica aí, pede tempo e sai daqui. Mundo gira feito bola, só pra quem tem peito fundo. Pare e pense um minuto. A vida é um segundo. Passou. Quer viver perdendo? Ou ganhar mais que todo mundo? Minha avó já tem idade e sabe o valor de tudo, mude enquanto tem idade, depois a vida é mais que tudo, cada dia é um presente e o futuro, ah o futuro é na verdade, os giros que você deu pelo mundo.
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Beijo bom, de canto de boca, de sorriso calado e corpo molhado. Tímido, arregalado, que morde a boca e dá abraço apertado. Beijo roubado… ladrão? Não foge. Me dê a mão. Devolve meu beijo. Menino safado… Beijo assim. Devagarinho, bem de mansinho, quase um samba de tão miudinho. De olho fechado te joga no chão e na dança do corpo, carrega o sonho pra perto do coração. Beijo bom. Hum que tesão. Gosto de pele e toque de mão. Passa a língua no lábio e deixe, deixe que bata o coração. Minha avó censuraria e nesse caso, nada diria. Hoje é dia do quê menina?
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Quando você faz. Refaz. Desfaz. Laça, tricota e tira até nó. Tenta. Agrada. Tira pó. Colhe, planta, rega e chora. Difarça. Acha graça e ri. Se vira. Quis assim. Abre a porta. Destrava. Fecha a porta. Destranca. Deixa entrar. Não sai. Volta. Refaz. Não dá. É tarde… Se até a natureza desagrada, que beleza pode fazer igual. Esquece. Se o cheiro é bom, troca. Se o coração pede, despreze. Se o sorriso é um tom, apague. Assim não dá. Para. Viaja. E fica bem… Minha avó não entende períodos curtos. Mas entende de verbo de ação. E não importa o quanto o sujeito aja, se ele for oculto, nunca vai ser transitivo indireto: quem gosta, gosta de alguém e não de alguma coisa.
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Bicho burro de peito e de carne. Manha de criança e olhar de machão. Cheiro de rosas e espinhos na mão. Quem se atreve com tanto culhão? Bicho burro… que sabe doar. Drama pra tudo e sorriso no ar. Carinho ou carência, ninguém pode julgar. Bicho mais que inteligente… difícil não se apaixonar. Quem entende tal jeito de se comportar? Santo forte, coragem de estar, mesmo sem receita, enfeita qualquer sala de estar. Bolo feito, medida certa, sabor de segredo e espírito de conquistar. Mulher, mulherzinha, moça e menina. Quem se aproxima, certamente vai se inspirar. Minha avó não leu O pequeno príncipe, mas diria sem medo: se até uma criança dá valor à uma rosa, que dirá os perfumes mais velhos que já amaram um jardim inteiro.
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